ESBOÇO 1250
TEMA: DÍZIMOS E OFERTAS, UMA DISCIPLINA ABENÇOADORA.
TEXTO: MALAQUIAS 3:10

A bíblia revela que desde os tempos mais remotos a existência das ofertas e dízimos, algo que se oferecia a Deus por aquilo que recebia como dádiva divina, assim os dízimos e as ofertas foram postos em prática por aqueles que servem a Deus.

I. O QUE É O DIZIMO?
Definição: No A.T. encontramos duas palavras que definem o Dízimo: Asar, que significa “décima parte” (Gn 28.22; Dt 14.22; I Sm 8.15,17); e a palavra Maaser, que também significa “décima parte” (Gn 14.20; Dt 12.6,11; Ml 3.8,10). No N.T. existem duas formas verbais e uma nominal: Dekatóo, que significa “dar a décima parte”, “dizimar” e aparece apenas por duas vezes (Hb 7.6,9); Apodekatóo, que também significa “dar a décima parte”, “dizimar” (Mt 23.23; Lc 11.42; Hb 7.5); e a palavra Dekáte, que significa “décimo” e aparece apenas em (Hb 7.2,4,8,9).

O dizimo é antes da promulgação da lei de Moisés, ele é a décima parte, é uma doação, ou oferta de um décimo da sua renda para que seja aplicado nos serviços que se faz para Deus. Desde a antiguidade o Senhor ordenou que o seu povo desse um décimo de tudo o que recebessem devolvessem para o seu serviço, ainda hoje o cristão que reconhece isso tem o prazer em dar o dízimo. Os primeiros homens ofertavam as primícias daquilo que produziam, podemos citar Abel (Gn 4.1-5), que ofereceu ao Senhor o que havia de mais excelente no seu rebanho. O patriarca Abraão (Gn 14.20), ancestral de Israel, entregou o dízimo a Melquisedeque, pois o dizimo fazia parte do culto e da estrutura da fé daqueles que servem ao Senhor.

Podemos, então, dizer que a palavra dízimo significa “décima parte de uma importância ou quantia”. O Dízimo é uma oferta entregue voluntariamente à obra de Deus, constituindo-se da décima parte da renda do adorador: “Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes”. (Ml 3.10). É um ato de amor e adoração que devotamos àquele que tudo nos concede.

II - TUDO O QUE SOMOS E TEMOS ATRIBUÍMOS A DEUS.
Antes de contribuir o crente precisa saber que Deus é a única fonte de todo bem, podemos descrever da seguinte maneira: 1. Somos seus filhos: Todas as pessoas pertencem a Deus por direito de criação (Sl 24.1). Nós cristãos, temos algo mais: Pertencemos à Deus por criação, redenção, e adoção através da nossa fé em Jesus: “Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que crêem no seu nome” (Jo 1.12); 2. Ele nos dá todas as coisas: Na condição de filhos, Deus nos dá todas as bênçãos espirituais de que precisamos (Ef 1.3; Fp 4.19; Tg 1.17) e também nos confere as bênçãos materiais. No Pai Nosso, lemos: “O pão nosso de cada dia dá-nos hoje” (Mt 11.6). As pessoas ateias, ou seja, as que não acreditam em Deus têm a sua permissão de usufruir dos seus bens, porém aqueles que creem em Deus desfruta de maneira conscientes e reconhecendo que tudo provém de Deus. Davi reconhecia isto quando disse: “Porque tudo vem de ti, e da tua mão to damos (I Cr 29.14b)”.

III – A SALVAÇÃO OPERA O DESEJO DE CONTRIBUIR.
A salvação desperta no crente o desejo de participar também da responsabilidade financeira da obra de Deus. A mesma graça que opera a salvação na vida do crente (Ef 2.7,8) também desperta nele a vontade de contribuir (II Co 8.1-5).
 
IV - O QUE SÃO OFERTAS?
1. Definição: Diversos termos definem a palavra oferta no A.T. Um dos mais citados é Terûmãh, e significa “oferta alçada, oferta ou oblação”. Este termo é encontrado cerca de 70 vezes no A.T. e é encontrado pela primeira vez em (Ex 25.2). Ofertas são doações voluntárias, apresentadas a Deus em agradecimento pelos imerecidos favores dele recebidos (Ex 35.29; 36.3; Lv 7.16; 22.18). No Antigo Testamento, funcionavam como culto em ação de graças (Lv 5.14); 2. O contexto de Ml 3.8,10: o texto de Malaquias 3.10 não fala apenas de dízimos, mas também de ofertas. O crente fiel não se limita apenas a dizimar; ele também sabe ofertar com liberalidade (Rm 12.8) “Ou o que exorta, use esse dom em exortar; o que reparte, faça-o com liberalidade; o que preside, com cuidado; o que exercita misericórdia, com alegria”. A liberalidade em ofertar parte do pressuposto de honrar ao Senhor em tudo, pois quem oferta a Deus sabe que mais “bem aventurado é dar do que receber” (At 20.35).

V - A CONTRIBUIÇÃO NO MODELO DA IGREJA PRIMIRIVA
1. O NT mostra-nos o modelo apostólico de contribuição, que segue no quadro demonstrativo: A contribuição foi ratificada por Cristo: No NT a igreja continua a praticar a contribuição que foi estabelecida por Deus antes da Lei, pois o próprio Jesus a ratificou (Mt 23.23) e os apóstolos a ensinaram (II Co 9-6.11; I Co 9.7-14).

2. A regularidade na contribuição: A igreja primitiva contribuía com regularidade, “Não com tristeza ou por necessidade” (II Co 9.7). A contribuição abrange “cada um”: Não somente uma parte da igreja contribuía, porém todos cooperavam para o progresso da obra de Deus. (I Co 16.2). A contribuição é voluntária: “Deram voluntariamente” (II Co 8.3). Tudo na obra de Deus é feito na base da voluntariedade (Fm 14).

3. A contribuição deve ser entregue à igreja: O crente não tem autonomia para administrar os dízimos e ofertas, pois a Bíblia diz: “Trazei todos os dízimos à casa do tesouro” (Ml 3.10). A casa de Deus é a igreja (I Tm 3.15) onde estão aqueles que Deus escolheu para que administrem as finanças. A contribuição visa a ajuda mútua: A Bíblia fala que os crentes em Jerusalém vendiam suas propriedades, e punham o valor delas “Aos pés dos apóstolos” (At 4.36,37; 5.1,2). A contribuição visa o sustento e pecúnio dos obreiros: No modelo neotestamentário, as contribuições representam a base da obra evangelizadora, como a subsistência dos que servem à Deus em tempo integral. Deus havia ordenado: “Aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho” (I Co 9.14). A contribuição visa suprir as despesas da obra: O apóstolo Paulo primava pela contribuição e lisura na administração financeira, para que as necessidades fossem supridas sem desperdício (II Co 8.13,14 11.9).

VI - OS MALES DO AMOR AO DINHEIRO.
É evidente que o dinheiro é a causa de muitos males nesse mundo, por essa razão podemos entender até aonde ele pode levar o indivíduo que o ama (I TM 6.10).

1. Leva o homem a esquecer-se de Deus: (Dt 8.11) “Guarda-te que não te esqueças do SENHOR teu Deus, deixando de guardar os seus mandamentos, e os seus juízos, e os seus estatutos que hoje te ordeno…”.

2. Faz com que se deixe de confiar em Deus: (Pv 30.9b) “Para que, porventura, estando farto não te negue, e venha a dizer: Quem é o SENHOR.”.

3. Sufoca a Palavra de Deus no coração: (Mc 4.19) “Mas os cuidados deste mundo, e os enganos das riquezas e as ambições de outras coisas, entrando, sufocam a palavra, e fica infrutífera.”.

4. Faz descansar na insegurança das riquezas: (“Pv 23.4-5”) “ Não te fatigues para enriqueceres; e não apliques nisso a tua sabedoria”. Porventura fixarás os teus olhos naquilo que não é nada”? porque certamente criará asas e voará ao céu como a águia.”.

5. Leva ao orgulho: (Pv 28.11) “O homem rico é sábio aos seus próprios olhos, mas o pobre que é entendido, o examina.”.

6. Leva à ganância: (Pv 5.10) “Para que não farte a estranhos o teu esforço, e todo o fruto do teu trabalho vá parar em casa alheia;”.

VII - BÊNÇÃOS ADVINDAS DA FELICIDADE EM DIZIMAR.
1. O devorador é repreendido: “E por causa de vós repreenderei o devorador, e ele não destruirá os frutos da vossa terra; e a vossa vide no campo não será estéril, diz o SENHOR dos Exércitos”. (Ml 3.11). O devorador pode ser várias circunstâncias adversativas, que acometem os infiéis no dízimo, mas, para o fiel há livramento.

2. O testemunho das nações: “Todas as nações vos chamarão felizes, porque vós sereis uma terra deleitosa, diz o Senhor dos Exércitos” (Ml 3.12). Este texto ensina que a fidelidade no dízimo traz ao crente um elevado conceito por parte de todos.

3.  Vitória sobre a avareza: “Porque bem sabeis isto: que nenhum devasso, ou impuro, ou avarento, o qual é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus” (Ef 5.5). A atitude correta em relação ao dízimo permite ao crente vencer sentimentos negativos como a avareza e o egoísmo.

4.  Disposição de Deus em nosso favor: “Tornai vós para mim, e eu tornarei para vós, diz o Senhor dos Exércitos” (Ml 3.7). Nossa atitude de voltar-se para Deus permite que Ele se volte para nós. Isto nos mostra que o tema dos dízimos e das ofertas faz parte do elenco das grandes virtudes cristãs.

De acordo com estas verdades, concluímos que os Dízimos e as Ofertas fazem parte de um sublime propósito, que é segundo a sabedoria de Deus. Estas contribuições põem o multimilionário e a pessoa mais pobre da igreja em pé de igualdade diante de Deus. Entregando os Dízimos e as Ofertas da sua renda, ambos estão dando a mesma coisa e receberão recompensa, não pela quantia que ofertaram, mas pela fidelidade em obedecer a Deus.

BIBLIOGRAFIA:
As Grandes Doutrinas da Bíblia - Raimundo de Oliveira (CPAD) / Lições Bíblicas (CPAD)
Pequena Enciclopédia Bíblica - Orlando Boyer (CPAD) / Bíblia de Referência Thompsom (VIDA)
Teologia Sistemática - Eurico Bergsten (CPAD) / Dicionário Teológico - Claudionor Correia de Andrade (CPAD)

Pr. Elis Clementino -prelisclementino@hotmail.com

 

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