ESBOÇO 1535 TEMA: QUANDO O SILENCIO FALA MAIS ALTO.

 

ESBOÇO 1535 *
TEMA: QUANDO O SILENCIO FALA MAIS ALTO.
TEXTO: SALMO 39:1-13.
Autor: Pr. Elis Clementino
 
Introdução:
Conta-se que certo sábio, ao ser provocado por um homem arrogante, permaneceu em silêncio. Um discípulo, intrigado, perguntou: "Mestre, por que não respondeu?" E o sábio respondeu: “Porque há momentos em que o silêncio é a resposta mais sábia que alguém pode dar.”
 
O Salmo 39 reflete exatamente esse tipo de sabedoria. Davi está angustiado, refletindo sobre a vida, o tempo e a própria língua. Ele aprende que há um tempo de calar e um tempo de falar (Eclesiastes 3:7). Aqui mostra o que acontece quando a alma é aquecida pela dor, pela reflexão e pela presença de Deus. Essas coisas são bem comuns em nossos dias e precisamos pedir a Deus sabedoria para nos conduzir de forma que agrade a Deus.
 
I. O silêncio que refreia o pecado.
Salmo 39:1-3 – “Guardarei os meus caminhos para não pecar com a língua; porei mordaça à minha boca...”
1.       Davi reconhece o perigo das palavras.
Ele entende que pecar com a língua é fácil: uma palavra impensada pode ferir, destruir ou manchar um testemunho, principalmente quando se trata de cristão. Em provérbios 21:23 – “O que guarda a boca e a língua guarda a sua alma das angústias.”

2.       O silêncio prudente é sinal de sabedoria
Mesmo diante dos ímpios, Davi se cala. Ele prefere o silêncio à murmuração. Mas o silêncio também gera dor,
pois o coração sente o peso do que não é dito. Por isso Tiago ressalta que devemos estar prontos para ouvir, tardio para falar. (Tiago 1:19).

3.       Quando a meditação aquece a alma
O coração de Davi se inflama, não de raiva, mas de reflexão. O “fogo” do verso 3 é a chama do Espírito produzindo arrependimento e discernimento.
 
Nem todo silêncio é covardia; as vezes é maturidade espiritual. Antes de falar com os homens, fale com Deus.
 
II. A fragilidade da vida humana
Salmo 39:4-6 – “Dá-me a conhecer, Senhor, o meu fim, e a medida dos meus dias...”
1.       Davi pede consciência da brevidade da vida.
Ele quer entender como é passageira a existência humana. Tudo é vaidade, como um sopro, uma sobra que passa. No Salmo 90:2 – “Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos corações sábios.”
 
2.       O homem corre atrás do vento
Salmo 39:6 - “Com frêmito se agitam por nada...” As pessoas correm, acumulam bens, mas esquecem que nada levarão.
 
Quando entendemos quão curta é a vida, passamos a valorizar o eterno. O tempo é um dom de Deus, e deve ser usado com propósito.
 
III. A esperança que não se abala.
O Salmo 30:7-9 – “Agora, Senhor, que espero eu? A minha esperança está em ti.”
1.       Depois da reflexão vem a rendição
Davi percebe: tudo é vaidade, exceto a confiança em Deus. Ele tira os olhos do homem e os fixa no Senhor. Quando olhamos para o homem, perdemos o foco no Senhor. “Certamente os homens de classe baixa são vaidade, e os de classe alta, mentira; pesados em balança, eles juntos são mais leves do que a vaidade.” (Salmo 62:9). Neste salmo, Davi reconhece que confiar no homem é inútil — tanto o humilde quanto o poderoso são vaidade diante de Deus. Por isso, ele decide firmar sua confiança somente no Senhor. “Assim diz o Senhor: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do Senhor... Bendito o homem que confia no Senhor e cuja esperança é o Senhor.” (Jeremias 17:5-7).

2.       Ele pede libertação do pecado
Salmo 39:8 - Ele diz: “Livra-me de todas as minhas transgressões...” O sofrimento o leva ao arrependimento, e o silêncio se transforma em oração sincera.
 
A esperança verdadeira não está nas circunstancias, mas no caráter de Deus. Quem confia no Senhor aprende a descansar, mesmo em meio à dor.
 
IV. A Disciplina que ensina
Os versos 10-11 – “Tira de sobre mim a tua praga... Tu castigas o homem, e fazes como a traça.”
1.       Deus corrige por amor
A dor de Davi não é apenas sofrimento, é tratamento. O Senhor usa a correção para moldar o coração. Deus pode usar a dor como instrumento de construção espiritual. Hebreus 12:6 – “Porque o Senhor corrige o que ama.”

2.       Tudo que é humano se consome
A “beleza” e as forças humanas passam como a traça consome o tecido. Tudo que não está firmado em Deus é efêmero.
 
Os processos dolorosos da vida são muitas vezes escolas da graça. Em vez de reclamar, aprenda com o que Deus quer ensinar.
 
V. A oração do peregrino
Salmo 39: 12-13 – “Ouve, Senhor a minha oração... porque sou estrangeiro e peregrino como todos os meus pais.”
1.       Davi reconhece que está de passagem
Ele entende que é apenas um viajante neste mundo. Isso o faz depender mais de Deus e menos das coisas terrenas. Devemos compreender o que disse o escritor aos Hebreus 13:14 “Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura.”

2.       O pedido final: alivio e consolo
“Desvia de mim o teu olhar, para que eu tome alento.” (Salmo 39:13). Ele clama por misericórdia e descanso, mostrando humildade diante da soberania de divina.
 
Enquanto estivermos neste mundo, devemos viver com o coração voltado para o céu. O peregrino sabe que sua verdadeira casa está na presença do Senhor.
 
Conclusão:
Este salmo é o retrato de uma alma em transformação. Davi começa em silêncio, passa pela dor e pela reflexão, e termina em esperança e oração. O que aprendemos com este texto?
ü  O silêncio pode ser cura.
ü  A dor pode ser disciplina divina.
ü  A brevidade da vida pode gerar sabedoria.
ü  E a esperança em Deus é o único refúgio verdadeiro.
Portanto, devemos falar menos, ouça mais e confie em Deus. O silêncio de um justo fala mais alto do que mil palavras sem fé.

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