terça-feira, 25 de outubro de 2011

ESBOÇO 409
TEMA: NÃO HÁ RAZÃO PARA ABANDONAR A DEUS
Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide, ainda que o produto da oliveira falhe, e os campos não produzam mantimentos, ainda que as ovelhas sejam exterminadas, e nos currais não haja gado, todavia eu me alegrarei no Senhor e exultarei no Deus da minha salvação” (Hc 3.17,18).

Há momentos de desesperança na vida, que muitas vezes desejamos largar tudo e usar a expressão do profeta Elias “Já basta oh! Senhor!” (I Rs 19.4), e finalmente atribuir a culpa a tudo e a todos (Gn 3.12), no entanto essas imputações tem razões especificas mediante os sofrimentos enfrentados, por isso devemos considerar o que disse Jesus; - “no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo” (Jo 16.33), e os que choram serão consolados (Mt 5.4). É interessante ressaltar que as situações de extrema fraqueza humana, se convertem em oportunidades para Deus operar (Mc 4.38), portanto é indispensável não perder as esperanças e não arrazoar possibilidades para abandonar a Deus. Neste bucólico comentário apresento conjunturas em que não devemos abandonar a Deus.

Circunstâncias
Em alguns casos as consternações que sofremos, são motivos para tomarmos decisões às vezes comprometedoras; abandonar família, emprego, amigos e a Deus, no entanto devemos ponderar quando estivermos passando por situações idênticas. Paulo apresenta na sua carta aos Romanos, experiências que ele próprio havia conhecido, as quais não seriam motivos para abandonarmos a Cristo, como: A tribulação, a angústia, perseguição, fome, nudez, perigo e espada (Rm 8.35), ele também aprendeu a conviver com diversas situações (Fp 4.11,13). Há momentos que temos necessidade de nos adequar a algumas dificuldades. Existe um tipo de víbora que diante da luz ela muda de cor, ou seja, ela se adapta a luz do ambiente, da mesma forma, devemos pedir sabedoria a Deus para conviver com as adversidades até superá-los. Consideremos o que Paulo escreveu na segunda carta a igreja de corintos “Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos” (2 Co 4.8,9). Mediante esse contexto, não basta apenas equilíbrio emocional, mas confiar em Deus.

O profeta Habacuque inicialmente não compreendia, mas os seus olhos foram abertos através da oração e passou a entender que mesmo faltando tudo seria importante permanecer confiando em Deus (Hc 3.17,18); Asafe também não entendia porque os justos sofriam e os ímpios triunfavam, mas após chegar-se a Deus em oração ele entendeu (Sl 73.3,16,17,26). Quando acreditamos em Deus encontramos força e superação para cada dificuldade (Fp 4.13), elas podem até abalar a nossa estrutura, emocional, física e financeira, mas, não a fé, “ela é a ancora da alma do cristão” e está bem firmada. É através da fé que as montanhas e muralhas são removidas (Mc 11.23; Hb 11.30) e cada obstáculo que você vence é mais uma vitória.

Considerações finais
Estejamos firmes na fé, o suficiente para resistir os dias maus, não sabemos o que nos espera lá na frente, porque cada dia traz o seu próprio mal (Mt 6.34), mas em quaisquer que sejam as circunstâncias, não desista de Deus. Muitas vezes ele permite que sejamos provados para que os objetivos dele sejam alcançados em nós (Fp 2.13; Hb 13.21). Se você não entendeu ainda as formas de Deus operar na sua vida, fica tranquilo que Ele vai executar a sua vontade em você, pois assim Jesus lhes responderá “O que eu faço, não sabes tu, agora, mas tu saberás depois” (Jo 13.7).

Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera”. (Ef.3.20)

Pr. Elis Clementino, Itapissuma - PE/Brasil


quinta-feira, 20 de outubro de 2011

O ATLETA CRISTÃO

ESBOÇO 408
TEMA: O ATLETA CRISTÃO
Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o premio? Correi de tal maneira que o alcanceis...” (I Co 9.24-26).

Introdução
Não pode haver liberdade sem o autocontrole, porque a carne resiste aos limites da liberdade. No texto em foco, Paulo refere-se ao seu próprio autocontrole (I Co 9. 24-27), ele faz uma analogia da carreira cristã na propagação do evangelho com a de um atleta nos jogos olímpicos, enfatizando a importância de lutar com propósito.

I. Conduta nas olimpíadas
Os gregos naquela época davam muito valor aos jogos olímpicos, Paulo escreve a respeito por entender que os cristãos sabiam das olimpíadas do mundo grego, nelas os atletas podiam perder ou ganhar, mas para terem vitória eram necessários:
a. Correr para ganhar o prêmio “propósito” (I Co 9.24);
b. Domínio próprio; antes e durante as partidas o atleta se abstém de qualquer coisa que venha comprometer a sua vitória (I Co 9.25);
c. Subjugar o seu próprio corpo (I Co 9.27);
d. Correr com meta e sem perder o foco (I Co 9.26; 2 Tm 2.4);
e. Qualificando-se para luta “com legitimamente” (2 Tm 2.5).

II. Em relação ao evangelho
1. Paulo apresenta qual deve ser o propósito daqueles crentes pensarem em levar o evangelho às outras pessoas com obstinação, fazendo como aqueles atletas, que se esforçavam para conquistar o prêmio corruptível. Cada cristão deve realizar maiores esforços para conquistar uma coroa muito mais valiosa, à incorruptível (I Co 9.25). Esse deve ser o nosso propósito, dominar a si mesmo deixando as coisas que para trás ficam e prosseguir em busca do prêmio (Fp 3.13,14), subjugando seu próprio corpo para alcançá-la (I Co 9.27).

2. Paulo não se refere aqui a busca pelas coisas desta vida, como alguns aplicam; o propósito, as metas para alcançar status na sociedade, enriquecimentos materiais, mas sim, a pregação do evangelho, pois, é por ele que devemos lutar até o fim, porque somente o evangelho conduz o homem a alcançar o prêmio maior “A coroa da justiça” no final da sua carreira (II Tm 4.7,8).

3. Só serão recompensados aqueles que lutarem legitimamente (2 Tm 2.5), devemos correr não como a coisa incerta, como trabalhando em vão ou sem nenhum sentido (I Co 9.26), mas, subjugar o seu próprio corpo para conquistar as almas pela pregação do evangelho (I Co 9.27). Isso significa intensos sofrimentos até que se cumpra a carreira que estar proposta.

Considerações finais
Cada cristão deve lutar pelo engrandecimento do reino de Deus, deixar as coisas que para trás ficam e prosseguir para as que estão adiante. Quanto a esse nosso propósito de pregar o evangelho levemos em consideração que estamos engajados numa grande batalha espiritual (Ef 6.12) e não podemos recuar, mesmo que tenhamos que enfrentar intensos sofrimentos, entretanto o soldado que milita não deve se embaraçar com as coisas desta vida, a fim de agradar aquele que o alistou para a guerra (II Tm 2.4).

Pr. Elis Clementino – Itapissuma – PE/Brasil



quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O CRISTÃO, A FÉ E A RAZÃO

ESBOÇO 407
TEMA: O CRISTÃO, A FÉ E A RAZÃO
Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Rm 12.1).

Introdução
O tema em foco direciona uma mensagem para todos cristãos, principalmente os neófitos na fé, para que se desenvolvam espiritualmente saudáveis, e ofereçam ao criador o verdadeiro culto racional. Comentaremos sobre o cristão e a razão, a fé não anula a razão, provados e aprovados com qualidade e fazendo uso da fé e a razão.

O cristão e a razão
Segundo o dicionário Aurélio da língua portuguesa, “razão” é a capacidade de avaliar, julgar e ponderar ideias gerais; estabelecer relações lógicas de raciocinar. Embora na filosofia haja outras ideias. Platão dizia que o homem é possuidor de três coisas; vontade, razão e paixão “sentimentos” como suas principais características. Aristóteles estabelecia distinção entre a razão ativa e a passiva. Já Tomaz de Aquino procurou equilibrar no que diz respeito à razão e a fé, e ambas tem as suas características e não se contradizem. Todo Cristão deve fazer uso da fé e a razão.

Quando o ser humano decide tomar qualquer decisão deve ter por traz um motivo ou razão muito forte para levá-lo a tomar tal decisão. Quando decidimos aceitar a Cristo como o nosso salvador, certamente temos um motivo muito intenso, entretanto o culto que oferecemos a Ele deve ter como ponto de partida a razão. “Porque estou oferecendo esse culto a Deus?”; Consideramos o culto da razão, se eu prego, porque prego?; Se orar, porque ora?; Se cultuar porque o faço? Paulo ensinou a igreja de corinto a usarem a razão e não somente a fé, se usarmos somente a fé ficaremos sem frutos e usando uma fé sem razão, essa fé é cega.

A fé não anula a razão
Elas devem ser equilibradas, embora às vezes a fé supere a razão, mas isso não quer dizer que a razão se torne inoperante, ela continua em ação. Deus disse a Abrão, sai-te da tua terra do meio da tua parentela para uma terra que te mostrarei, ele soube avaliar quem falava com ele, isso fez com que a sua fé fosse processada, optando por obedecer a quem o falou (Gn 12.1). Outra ocasião foi levar o seu filho Isaque ao sacrifício (Gn 22). A fé enxergara o futuro, mas do que a razão.

“A fé é o firme fundamento das coisas que não se vê, e a prova daquilo que se espera” (Hb 11.1). A fé de Abraão foi mais forte do que a razão superando todas as expectativas em relação ao seu futuro (Hb 11.9,10). O crente deve estar preparado para ouvir a voz de Deus e obedecê-la. Essa atitude de fé foi aprovada (Gn 22.1-14). Para alcançarmos algo na vida somos submetidos as mais variadas provas de fé. Pedro disse aos crentes dispersos para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória na revelação de Jesus Cristo” (1 Pe 1.7; Pv 27.21).

Quando temos conhecimento que a nossa fé está sendo provada, é porque algo de bom da parte de Deus está por vir, pois cabe a Ele tanto o querer como o efetuar (Fp 2.13), pois muitos são submetidos à prova. A palavra “provar” segundo Aurélio é aquilo que atesta a veracidade ou autenticidade de algo. Ninguém quer ser submetido à prova, principalmente a da fé, mas a questão não é se quero ou não. Quando as provações de Deus chegam ninguém escapa, porém sabe-se que é para o bem (Rm 8.28). Mediante os sofrimentos devemos estar seguros e convictos da vitória final (2 Tm 1.12; 4.7).

Provado e aprovado com qualidade
A todos quanto Deus tem propósitos será provado, José para chegar a governador foi submetido as mais duras provas. Vejam os caminhos que ele passou; seis obstáculos a serem vencidos; (1) Foi odiado pelos seus irmãos (Gn 37.11); (2) Jogado na cova (Gn 37.24); (3) Vendido (Gn 37.28); (4) Escravo na casa de Potifar (Gn 39.1); (5) Seduzido pela mulher do seu senhor (Gn 39.7); (6) Preso no calabouço (Gn 39.20). Mediante esse contexto ele nunca declinou, além de demonstrar um caráter altruísta, jamais desanimou, onde vale salientar sua organização com relação à fé, a razão e ação, “como escravo era o melhor escravo; como prisioneiro era o melhor prisioneiro; como administrador era o melhor administrador” O mais importante! “O Senhor era com José” (Gn 39.23). O cristão sempre deve fazer o melhor, independente das circunstâncias.

Considerações finais

O cristão deve fazer uso da e da razão, sem permitir que a razão venha sufocar a fé. Paulo deixou esse exemplo a ser seguido, no entanto esses dois fatores envolvem; firmeza, obediência, atitudes coerentes à palavra de Deus, de forma que vivenciemos o genuíno evangelho de Cristo (Tt 2.7,8). Faça uso da fé e da razão para produzir mais frutos.

Pr. Elis Clementino – Itapissuma - PE


terça-feira, 4 de outubro de 2011

O FERMENTO DOS FARISEUS

ESBOÇO 406
TEMA: O FERMENTO DOS FARISEUS
Acautelai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia” Lc 12.1b.

Introdução

Nas escrituras o fermento sempre foi símbolo do pecado, o termo usado para figurá-lo pela primeira vez foi em (Ex 12.15). A ausência dessa substância na massa significava pureza espiritual, ou seja, isento da iniquidade, pois nenhuma oferta de manjares ao Senhor deveria contê-lo (Lv 2.11). Discorreremos nesse mote sobre o fermento, a sua utilidade e as consequências.

1. Significado

É um agente capaz de produzir fermentação na massa. O fermento dos hebreus constava de uma porção de massa velha em alto grau de fermentação, introduzida na massa fresca (Enciclopédia Bíblica O. S. Boyer). Esse termo foi citado em algumas parábolas de Jesus referindo-se aos fariseus. Jesus acusava-os de hipócritas. A palavra “hipocrisia” vem do teatro, e das máscaras que os personagens usavam durante uma peça teatral, e sobre ela Jesus disse: “Nada há encoberto que não seja descoberto” (Lc 12.2). Fingimento, impostura, mentira e falsa devoção eram tudo que os fariseus possuíam. Pode ser possível agora disfarçar motivos e valores sob uma capa de piedade, entretanto um dia a máscara será removida e cada um será conhecido quem realmente o é. O fermento é um agente que altera as propriedades da massa levando-a a ficar volumosa, ela é usada naturalmente em pães, bolos etc.

2. O ingrediente que corrompe

Como um dos símbolos do pecado, o fermento é um ingrediente que corrompe, e por essa razão o SENHOR ordenou que os israelitas tirassem das suas casas (Ex 12.15). Jesus em sua parábola disse: “Acautelai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia” (Lc 12.1b); Paulo em suas cartas advertiu os crentes para que não fossem contaminados por esse grupo “Não é boa a vossa jactância. Não sabeis vós que um pouco de fermento leveda a massa toda?” (I Co 5.6; Gl 5.9). Observem que o pecado e a hipocrisia não se limitavam somente aos fariseus daquela época, mas estende-se a todas as pessoas da contemporaneidade.

3. A mistura da massa com o fermento

Após a mistura desses dois ingredientes; não podemos facilmente separá-los; da mesma maneira na parábola do trigo e o joio (Mt 13.29,30). Jesus mostrou que essa levedura podia contagiar uma coletividade e desviar toda nação, a maldade e a hipocrisia tem atingido toda humanidade, Jesus sabia que isso aconteceria advertindo primeiro os seus discípulos. Literalmente o fermento é um ingrediente que faz com que a massa cresça, e não é proibido nenhum crente usar normalmente em suas casas nas confecções de pães, bolos etc. Sendo ele símbolo (pecado) tem causado tantos problemas, por isso devemos fazer a nossa parte tirá-lo das nossas vidas e não dos pães e bolos. - “Mas agora despojai-vos também de tudo: da ira, da cólera, da malicia, da maledicência, das palavras torpes da vossa boca.” (Cl 3.8; Ef 4.22; I Pe 2.1). Despojai-vos é uma imagem que significa rejeitar decisivamente qualquer expressão do velho homem em favor do novo “Pois que já despistes do velho homem com seus feitos e vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” (Cl 3.9,10). “Alimpai-vos, pois, do fermento velho. Paulo usa AT testamento para fazer uma ilustração importante. Quando uma dona de casa no século I fazia pão, ela usava o fermento para fazer o pão crescer. A maior parte dessa massa era cozida, mas uma pequena porção era guardada e misturada com novos ingredientes. Durante a noite, o fermento penetrava na nova mistura, e o processo era repetido diversas vezes. Na época da páscoa, cada pedaço de fermento velho era lançado fora, e Israel novamente celebrava a sua redenção e um novo começo. E assim Paulo lembra aos coríntios. Cristo é o nosso Cordeiro pascal. Ele nos deu um inicio totalmente novo; e, afastando-nos das coisas “velhas” como a malicia e a maldade, devemos nos tornar o que somos – novos homens e mulheres, renovados em Jesus para vivermos uma vida de sinceridade e verdade.” (I Co 5.7).

Considerações finais

É imprescindível entender a simbologia do fermento, sabendo sempre separá-lo da massa, pois, dessa forma não seremos corrompidos. Deus exige pureza e santidade aos seus seguidores.

Pr. Elis Clementino, Itapissuma – PE/Brasil