segunda-feira, 13 de junho de 2016

A INTRANSIGÊNCIA RELIGIOSA

ESBOÇO 682
TEMA: A INTRANSIGÊNCIA RELIGIOSA
“Josué filho de Num servidor de Moises desde a sua juventude, disse: Moises, meu senhor, proíbe-os” (Nr 11:28).

A intransigência é um dos males que tem afetado muitas pessoas em todo mundo, independentemente de classes sociais e religião. O absolutismo tem gerado muitos problemas em todas as camadas da sociedade, o exclusivismo é a ponte que leva a intolerância e conseqüentemente a discriminação. As escrituras sagrada exemplifica isso como um problema antigo na humanidade. Josué um dos jovens servidor de Moisés teve ciúme porque Eldade e Medade profetizavam no arraial “Moisés, meu Senhor, proíbe-lho” (Nr 11:28,29), também os fugitivos de Efraim para serem identificados teriam que dizer  chibolete; porém eles diziam sibolete e automaticamente eram mortos. Os meninos clamavam no templo Hosana ao filho de Davi, os sacerdotes e escribas indignaram - se (Mt 21:15). Neste breve comentário discorreremos até que ponto a intransigência pode chegar ao meio cristão.

Significado:
Intransigência; intolerância, absolutismo, extremismo, fanatismo e ignorância.

A intolerância.
A intolerância gera exclusividade, ciúmes, discriminação, murmuração e perseguição, os egípcios não se alimentavam com os hebreus, pois isso era abominação para eles (Gn 43:32). Os samaritanos não podiam se comunicar com os judeus (Jo 4:9). Pedro teve uma visão a respeito de Cornélio (gentio) e disse: “Mas vós bem sabes que não é lícito um judeu juntar-se, ou chegar-se perto de um estrangeiro” (At 10:28). Hoje não é diferente, as pessoas atingidas por esse mal fazem distinção entre denominação A e B, às vezes depreciando como se não fossemos comprados pelo mesmo preço “O sangue de Jesus”. Você já pensou se o Senhor fizesse uma tabela dos comprados, quem valia mais? Ora, fomos resgatados pelo mesmo preço, para que não viéssemos pensar que valíamos mais.

A intransigência tem sido um grande impedimento na propagação do evangelho, as pessoas se digladiam moralmente por motivos doutrinários, tudo isso para conquistar um espaço como se fosse mercado ou comércio, olha-se mais para os emblemas denominacionais do que as pessoas. No conceito de Moises, Eldade e Medade podiam profetizar que ele não teria nenhum motivo para se impor, mas disse: “Tomara que todo povo do Senhor fosse profeta, que o Senhor lhes desse do seu Espírito!” (Nr 11:29). Outro fato aconteceu, o discípulo de Jesus chamado João, lhe disse: Mestre nós vimos um homem que em teu nome expulsava demônios, e nós lho proibimos porque não nos segue (Mc 9:38). Ora! Jesus podia condenar tal individuo, mas não o fez (V 39). Trouxeram também as crianças para que tocassem em Jesus, mas os discípulos as repreendiam, pois a intolerância leva a exclusão das pessoas (Mc 10:13). Os discípulos de João disseram a ele, aquele homem (não o chamaram de Jesus) do qual deste testemunho dEle, está batizando mais discípulos do que tu, e a multidão lhe seguem. Se João Batista não soubesse de que espírito era, teria realmente ido confrontá-lo, no entanto deu profundo testemunho a respeito do Mestre (Jo 3:26,27).

A intolerância discrimina; por causa dela, o próprio Cristo foi rejeitado pelos samaritanos, porque viram que Ele ia para Jerusalém, entretanto não quiseram hospedá-lo por ser Ele um judeu (Lc 9:53). A intenção do Senhor era quebrar a barreira entre judeus e samaritanos, por isso foi necessário passar por Samaria, mesmo que viesse a contrariar os desejos de alguém (Jo 4:4). Houve também uma grande murmuração porque Jesus entrou para se abrigar em casa de pecador (Lc 19:7). Uma mulher era discriminada pela sociedade por ter uma hemorragia há doze anos, ela não podia se aproximar do mestre, porque os que estavam a sua volta tinham um sentimento de exclusividade, (só nós e mais ninguém) (Mt 9:20). Uma mulher Cananéia se aproximando de Jesus, rogando-lhe uma cura para sua filha que estava miseravelmente possessa, por Jesus lhe responder naquele momento os discípulos se acharam no direito de pedir a Ele que a despedisse (Mt 15:21-28). Os discípulos não suportaram ouvir um cego clamar e diziam cala-te (Jo 9:1-3). Jó relatou que até o seu hálito era intolerável a sua própria mulher e os seus próprios irmãos o repugnavam (Jó 19:17).

As pessoas intolerantes geralmente são perseguidoras. Paulo perante o rei Agripa falou o quanto perseguia os crentes, pois ele tinha autoridade para impedir o crescimento do evangelho de Cristo (At 26:11). No ato da sua conversão, Jesus declarou ante ele: - Eu sou Jesus a quem tu persegues. (At 9:4, 5) Ele passou a ser perseguido da mesma forma  (At 9:23-31). A intolerância e a inveja podem levar uma pessoa a cometer um homicídio, Caim não tolerava ver o sucesso do seu irmão Abel (Gn 4:1-8).

O que Deus é capaz fazer por uma pessoa discriminada?
Será que as pessoas discriminadas e perseguidas não são úteis? E como essas pessoas são vistas por Deus? O que dizer de Raabe, uma prostituta que morava em cima do muro? E sobre a sua justificação relatada pelo escritor aos hebreus? (Hb 11:31). O que dizer de Tiago quando disse que Raabe foi justificada pelas obras? (Tg 2:25). O que dizer sobre o seu nome na árvore genealógica de Jesus (Mt 1:5). O que dizer sobre os quatro leprosos que estavam excluídos da cidade por causa da sua enfermidade? No entanto Deus os usou poderosamente para salvar Samaria da fome (2 Rs 7:3). O que dizer da mulher samaritana no poço de Jacó que havia tido quatro maridos e o que tinha não era dela, mesmo assim ela se tornou um canal de benção para os seus conterrâneos. (Jo 4:42). E sobre a mulher que fora apanhada em ato de adultério e a trouxeram a presença de Jesus, para que fosse feito conforme a lei de Moisés (Lv 20:10; Dt 13:9). Ser morta a pedradas (Jo 8:4,5,7). Amados, a intolerância não perdoa, os intransigentes não têm um espírito perdoador, mas de vingança, como aqueles homens pecadores e adúlteros queriam matar aquela pobre e indefesa mulher. Entretanto Jesus fez aquela mulher respirar aliviado e lhe disse: - Mulher onde estão os teus acusadores, ninguém te condenou? Nem eu te condeno, vá em paz e não peques mais (Jo 8:11). Todas essas pessoas se tornaram um verdadeiro canal de benção nas mãos de Deus e os intransigentes ficam de fora e bem provável não entrarão no reino de Deus. No seu conceito em que posição você colocaria essas pessoas? Como cristãos podemos julgá-los da mesma maneira? Necessitamos acreditar que Deus tem o poder transformar de vidas.

Devemos ter muito cuidado para que esse mal não nos atinja, a intolerância, ciúme, exclusão, discriminação, perseguição, crítica, murmuração e exclusivismo. Deus quer que tenhamos um coração perdoador e cheio de justiça divina. Paulo escrevendo aos Gálatas disse: - Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma ofensa, vós, que sois espirituais encaminhais o tal com espírito de mansidão. Mas olha por ti mesmo para que não sejas tentado (Gl 6:1; Cl 2:8; 1 Tm 4:16). Tratar bem as pessoas, independentemente de quem elas são constitui-se uma grande virtude.




Pr. Elis Clementino, Paulista/PE

quinta-feira, 9 de junho de 2016

O CRISTÃO, A FÉ E A RAZÃO

ESBOÇO 681
TEMA: O CRISTÃO, A FÉ E A RAZÃO
Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.” (Rm 12.1)

O tema em foco direciona uma missiva especialmente os cristãos, maiormente os neófitos na fé, com a finalidade de fazê-los com que desenvolvessem a sua fé de maneira saudável. A fé não anula a razão, assim o cristão pode oferecer o seu corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o seu culto racional.

O cristão e a razão
Segundo o dicionário Aurélio da língua portuguesa, “razão” é a capacidade de avaliar, julgar e ponderar ideias gerais; estabelecer relações lógicas de raciocinar. Embora na filosofia haja outras ideias. Platão dizia que o homem é possuidor de três coisas; vontade, razão e paixão “sentimentos” como suas principais características. Aristóteles estabelecia distinção entre a razão ativa e a passiva. Já Tomaz de Aquino procurou equilibrar no que diz respeito à razão e a fé, e ambas tem as suas características e não se contradizem. Todo Cristão deve fazer uso da fé e a razão.

Quando o ser humano decide tomar qualquer decisão deve ter por traz um motivo ou razão muito forte para levá-lo a tomar tal decisão. Quando decidimos aceitar a Cristo como o nosso salvador, certamente esse motivo tenha sido muito intenso, “Porque estou oferecendo esse culto a Deus?”; Consideramos o culto da razão, se eu prego, porque prego?; Se ora, porque oro?; Se cultuar porque o faço? Paulo ensinou a igreja de corinto a usarem a razão e não somente a fé, se usarmos somente a fé ficaremos sem frutos, usando uma fé sem razão. “uma fé sega”

A fé não anula a razão
Elas devem ser equilibradas, embora às vezes a fé supere a razão, mas isso não quer dizer que a razão se torne inoperante, ela continua em ação. Deus disse a Abrão, sai-te da tua terra do meio da tua parentela para uma terra que te mostrarei, ele soube avaliar quem falava com ele, isso fez com que a sua fé fosse processada e finalmente ele optou por obedecer a Deus (Gn 12.1). Outra ocasião foi levar o seu filho Isaac ao sacrifício (Gn 22). A fé enxergara o futuro, mas do que a razão e assim pressuponho que se ele usasse somente a razão ele não teria levado o seu filho para imolá-lo.

“A fé é o firme fundamento das coisas que não se vê, e a prova daquilo que se espera” (Hb 11.1). A fé de Abraão foi mais forte do que a razão superando todas as expectativas em relação ao seu futuro (Hb 11.9,10). O crente deve estar preparado para ouvir a voz de Deus e obedecê-la. Essa atitude de fé foi aprovada (Gn 22.1-14). Para alcançarmos algo na vida somos submetidos as mais variadas provas de fé. Pedro disse aos crentes dispersos “para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória na revelação de Jesus Cristo” (1 Pe 1.7; Pv 27.21).

Quando temos conhecimento que a nossa fé está sendo provada, é porque algo de bom da parte de Deus está por vir, pois cabe a Ele tanto o querer como o efetuar (Fp 2.13), pois muitos são submetidos à prova. A palavra “provar” segundo Aurélio é aquilo que atesta a veracidade ou autenticidade de algo. Ninguém quer ser submetido à prova, principalmente a da fé, mas a questão não é se quero ou não. Quando as provações de Deus chegam ninguém escapa, porém sabe-se que é para o bem (Rm 8.28). Mediante os sofrimentos devemos estar seguros e convictos da vitória final (2 Tm 1.12; 4.7).

Provado e aprovado com qualidade
A quem Deus tem propósito será provado, José para chegar a governador foi submetido as mais duras provas. Vejam os caminhos que ele passou; seis obstáculos a serem vencidos; (1) Foi odiado pelos seus irmãos (Gn 37.11); (2) Jogado na cova (Gn 37.24); (3) Vendido (Gn 37.28); (4) Escravo na casa de Potifar (Gn 39.1); (5) Seduzido pela mulher do seu senhor (Gn 39.7); (6) Preso no calabouço (Gn 39.20). Mediante esse contexto ele nunca declinou, além de demonstrar um caráter altruísta, jamais desanimou, onde vale salientar sua organização com relação à fé, a razão e ação, “como escravo era o melhor escravo; como prisioneiro era o melhor prisioneiro; como administrador era o melhor administrador” O mais importante! “O Senhor era com José” (Gn 39.23). O obreiro sempre deve fazer o melhor, independente das circunstâncias.

O cristão deve fazer uso da e da razão, sem permitir que a razão venha sufocar a fé, e sem que a fé ofusque a razão. Paulo deixou esse exemplo a ser seguido, no entanto esses dois fatores envolvem; firmeza, obediência, atitudes coerentes à palavra de Deus, de forma que vivenciemos o genuíno evangelho de Cristo (Tt 2.7,8) com plena consciência.

Pr. Elis Clementino – Paulista - PE